sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Olhares sobre O Baú - Caroline Falero


Não tem momento mais importante pra mim do que a infância, é nostálgico, tudo era simples, tudo era feliz e pra tudo se tinha solução. Nessa época eu ainda podia contar tanto com a minha mãe quanto com meu pai, falecido, o oposto do meueuagora em que amparo meus enteados, primos e alunos. A gente cresce e cai na vida real, tudo é assustador. Fazer teatro e poder montar um espetáculo infantil, traz esse gostinho novamente, dessa felicidade, dessa lógica de pensar mais ingênua e sincera, e esse momento refresca nosso mundo adulto sem graça, como se essa chama se acendesse novamente e influenciasse no modo de ser gente grande. Outro fator é que essa ideia de infância está sendo corrompida, a sociedade se relaciona de um jeito diferente com as crianças hoje e me pergunto até onde é saudável e que tipo de adulto essa relação vai gerar. Esse espetáculo nos possibilita a reflexão entre a nossa infância e a infância de hoje, quais as diferenças? Nós que somos professores, estamos lidando com situações variadas de deturpação da educação, da relação em família, da relação entre amigos, do descobrimento precoce das relações sexuais... Onde isso tudo vai parar? A discussão é palpável, tal como a necessidade de se tomar uma posição sobre isso.



Foi muito importante para o processo a definição do tema que íamos abordar, o Grupo Trilho de Teatro Popular propõe o questionamento e como fazê-lo num espetáculo infantil? permeava o incomodo da relação dos meios de comunicação com as crianças de hoje. Ao resgatar nossas  lembranças, o que era mais importante não era os programas ou os brinquedos e sim, as brincadeiras, a relação com os animais de estimação, os sonhos, os medos e o principal, os amigos. Por fim se tornou essencial ressaltar que mais do que um espetáculo que reforce o lado lúdico queríamos ressaltar a ludicidade natural da criança, lembrar aos pais o quão saudável é esse exercício e a importância de não deixá-los amadurecerem precocemente, respeitá-la em seu direito de ser criança sem preocupações adultas. Definido o tema era hora de afinar a improvisação para chegarmos ao nosso objetivo, não foi (é) fácil, voltar a ser criança e transgredir esse tem sido nosso maior desafio.


Caroline Falero
Integrante do Grupo Trilho
                                               

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Tonho Crocco X Gangue da Matriz

O músico Antonio Carlos Crocco, mais conhecido por Tonho Crocco, fundador da banda Ultramem, está sendo processado por intermédio de uma ação no Ministério Público encaminhada em nome do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e atual Deputado Federal do PDT Giovani Cherini por crimes contra a honra.

No dia 21 de dezembro de 2010, 36 deputados estaduais votaram a favor do aumento de 73% de seus próprios salários. O substituto do Projeto de Lei 352/2010, elevou o salário dos parlamentares de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34. Em menos de 24h, Crocco, conseguiu compor e gravar o vídeo protesto "Gangue da Matriz" no qual ele cita o nome dos 36 deputados que votaram a favor do aumento.



Em 12 de janeiro, uma representação para que o Ministério Público Estadual investigasse se o rap poderia ser compreendido como crime foi protocolada na Procuradoria-Geral de Justiça. No documento o parlamentar afirma que o protesto "afasta-se da manifestação saudável e democrática para inserir-se no capítulo de crimes contra a honra".

Agora eu me pergunto: o que seria, para o Deputado Cherini, uma manifestação saudável e democrática? Será que ele considera saudável (e democrático) os próprios deputados aprovarem um aumento de 73% no seu salário, o que causa um impacto de mais ou menos R$ 466.266,90 por mês, ou seja, por volta de R$ 5.595.202,80 por ano a mais aos cofres do Governo Estadual?

Sabe o que isso significa? Um gasto anual - contando o total dos salários dos deputados - que gira em torno de R$ 13.227.944,40, que é praticamente a METADE do orçamento anual para a cultura do estado (que está em torno dos 29 milhões de reais). Todas essas contas feitas de forma simplória, sem contar 13º e 14º salário, mais as bonificações e auxílios que os excelentíssimos  deputados recebem.

E o Ministério Público? Como está reagindo? Bom, com suas próprias palavras: “Em nenhum momento, mesmo numa análise preliminar, houve qualquer ato do Ministério Público que pudesse, ainda que indiretamente, ser interpretado como censura. Pelo contrário, o procedimento, a rigor, segue a postura sempre defendida pelos meios de comunicação, de eventual e posterior responsabilização, caso configurada situação de abuso da liberdade de expressão.”  

Abuso da liberdade de expressão??? Não sou advogado, e às vezes certas profissões contém vocábulos próprios que significam algo bem específico que é para os leigos não entenderem mesmo. Mas neste caso vou me arriscar um pouco, mesmo correndo o risco de incorrer em erro.

ABUSO são obras e eventos públicos sem licitação ou com licitação mal fiscalizada com orçamentos absurdos, ABUSO é uma polícia corrupta, ABUSO é o gasto dos governos em publicidade e em campanhas, ABUSO são os vários casos – praticamente diários – de desvios de verbas, corrupção, propina, etc. etc. etc. dos nossos políticos em todas as esferas, seja municipal, estadual ou nacional. Todos ABUSOS que o Ministério Público poderia, talvez, se preocupar em investigar. Nesse contexto, abusar da liberdade de expressão, me parece que não deveria ser considerado crime... Mas não esqueça, estou correndo o risco de incorrer em erro...

Acho que o mínimo que podemos fazer é divulgar ao máximo este absurdo e quem puder ir, a audiência preliminar acontece no dia 22 de agosto de 2011, segunda-feira às 15h no Foro Central de Porto Alegre/RS. 



Fábio Castilhos
Integrante do Grupo Trilho

PS: Li em algum lugar que o próprio Tonho Crocco está pedindo que o pessoal chegue às 13h30min.


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